“Ninguém percebeu que todo mundo ficou completamente louco? Por que temos tanto medo de ver as coisas como realmente são? Slogans como este conseguiram desviar nossa atenção das coisas que realmente importam. Não há outra saída. Quero que as pessoas saibam que preferi me matar a participar da loucura coletiva desse mundo em que vivemos. Esse não é o mundo real. Adeus”. -Carta de suicídio de Veronika para uma revista.
Acabei de assistir Veronika Decide Morrer e , respirando profundamente me sinto obrigada a dizer que não gostei da sua adaptação. Detestável, triste e insensível. E nem é por uma suposta expectativa, já que eu lí o livro e tenho grande apreço por ele, mas fiquei imaginando como pessoas que não leram o livro ficaram sem entender o porque de suas reações.
A única coisa que posso imaginar é que o roteirista traduziu o livro pelo Tradutor Google, tamanha foi a falta de percepção com os diálogos quase inexistentes. Depois deste coloco o diretor que deixou com que as cenas não tivessem sentido nenhum. Nada aquilo que acontece tem um porque. Nem o porque do tapa no senhor na sala de estar, ou da sala de piano, o espanto de Veronika ao descobrir que Edward não é esta exatamente esquizofrênico, ou vai entrar em tratamento. Nada tem a angústia dos últimos dias. Aliás, Veronika não tem como seu fim com um prazo de uma semana, o que torna todo o tema bastante jogado, não dando o tom do desespero dela pelos seus últimos momentos de vida. O psiquiatra mal aproveitado, sem uma conclusão para sua pesquisa sobre a amargura. Mari que no livro é a única que sabe que Edward já não é mais esquizofrênico que conhece toda a história de Villete, e das pessoas que estão alí pela simples opção de não enfrentar o mundo fora, sem sequer serem doentes. E Edward que não parece nem de longe um esquizofrênico? Que fica rindo para as pessoas? E mesmo o ator tendo um olhar forte, fica totalmente apagado sem a mínima força que existe no livro. E isso pra mim é tudo falta de uma boa direção, porque os atores tinham potencial para muito mais. Sarah Michelle Gellar, que fez a Buffy, estava ótima, mas poderia ter sido muito mais. David Thewlis, que é o querido Remus em Harry Potter, aqui, por não aostar em um novo estilo para o ator, quase pensei que sacaria sua varinha e correria atrás de Rabicho.
Pra mim os roteiristas apenas usaram o plot da história e os nomes e criaram outro história em cima disso. Isso nem sempre é um erro. Mas neste caso, ele foi modificado para pior. Frases jogados ao léu, conceitos sem conclusão alguma, Sindrome do Pãnico, viagens astrais, esquizofrenia, assuntos jogados. Se não teria tempo para abordá-los, era melhor não tê-los inserido. Nem de longe é o sentimento de libertação, a princípio para querer acelerar o processo de morte e depois de prolongar o que lhe resta de vida, que se tem no livro. Tão pouco a intensidade, que no livro é um turbilhão de pensamentos e reflexões, foi adaptado com minutos de silêncio arrastados somados a uma fotografia fraquíssima. Uma pena de verdade. Eu acho até caberiam pensamentos em off, já que ela não teria mesmo com quem falar, é triste ver um tema mal aproveitado.
Conclusão? Não chega a ser ruim, se não comparado ao livro. Mas se você quiser assistir pela história, sugiro que faça um esforço e leia o livro. O filme deve trazer no máximo um décimo da experiência que o livro traz. Bem, tente. Talvez assistindo o filme tenha curiosidade de ler o livro. Ou não.

Oie Grazi!
Hum. Acredita que até o desfecho eu estava gostando do filme? Digo. É interessante ver que a diretora Emily Young faz uma abordagem experimental, que até funcionou comigo, para construir um discurso simples e que, no final, revela-se auto-indulgente. Eu não aprovei o desfecho da história mesmo. Mas não achei o filme tãaao ruim. Esperava algo muito pior, na verdade.
Mas… Excelente texto!
Sabe por que eu gosto dos seus textos? Porque eles não tem a pretensão de ser crítica de cinema. Eles não são enlatados, nem fabricados. São de livre e espontanea vontade, e instiga o leitor a lê-lo até o fim!
Beijos!
Então, eu fiquei bem na dúvida se o filme funciona pra quem nunca leu o livro. Porque se pra quem leu ele é arrastado. Eu tenho a impressão que fica sem nexo o negócio do hospício. Não passa a mensagem direito. Parece uma menina que muda de opinião a cada 5 minutos e é levada pelos acontecimentos. Que não é ela que faz todos aqueles acontecimentos terem sentido.
Quanto ao texto. Obrigada. A idéia é realmente ser algo bastante pessoal, mais a questão sentimental, como é que a mensagem do filme chega nas pessoas. Se funciona ou não, se tem sentimento, seja você leigo ou especialista. (Se bem que eu falo mais pelos leigos.. :XXX)
O filme não é lá aquelas coisas, mas essa foto ficou linda. *.*